Não sei explicar inteiramente porque é esta a área que me chama. Sei o que sinto diante de um edifício: as linhas, os volumes e a ordem das coisas aquietam-me, dão-me uma estabilidade que poucas outras coisas me dão. Fotografar arquitetura é, para mim, uma forma de prolongar esse silêncio — olhar com atenção para estruturas por onde a maioria das pessoas passa sem reparar.
Trabalho quase sempre com tripé e corrijo as verticais com rigor: linhas direitas aquietam-me da mesma forma que os edifícios, e é também por isso que esta área me prende. Fotografo com luz do dia e procuro sombras definidas, que dão peso aos volumes e marcam os planos. Interessa-me menos documentar um edifício e mais devolver-lhe a presença que ele tem quando paramos para o olhar.
Formei-me em fotografia no Instituto Português de Fotografia, no Porto, onde aprofundei a componente técnica que esta área exige. Estou no início do meu percurso como fotógrafo de arquitetura, e este conjunto de trabalhos é o ponto onde me encontro.